VIVISSECÇÃO

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Vivissecção

É o ato de dissecar um animal vivo com o propósito de realizar estudos de natureza anatomo-fisiológica. No seu sentido mais genérico, define-se como uma intervenção invasiva num organismo vivo, com motivações científico-pedagógicas.
Na terminologia dos defensores de animais, é generalizada como uso de animais vivos em testes laboratoriais (testes de drogas, cosméticos, produtos de limpeza e higiene), práticas médicas (treinamento cirúrgico, transplante de órgãos), experimentos na área da psicologia (privação materna, indução de estresse), experimentos armamentistas\militares (testes de armas químicas), testes de toxicidade alcoólica e tabaco, dissecação, e muitos outros.
Em Portugal, esta técnica é regulamentada, juntamente com outros métodos de experimentação animal pela Portaria nº 1005\92 de 23 de outubro, versada sobre a proteção dos animais utilizados para fins experimentais ou outros fins científicos. Esta legislação prevê que a experimentação em animais deve ser executada exclusivamente por pessoas competentes e em animais devidamente anestesiados.
Já no Brasil, encontra-se em discussão um código de leis que regulamentariam o uso de animais em experiências científicas. Os maus-tratos gratuitos a animais (rinha de galo, farra do boi, etc) são crimes ambientais. No Rio de Janeiro, o vereador Cláudio Cavalcanti (24\02\1940- 29\09\2013) criou uma lei que proíbe a vivissecção em todo o Município, A lei foi sancionada pelo então prefeito César Maia.

Origem

A referência mais antiga à prática da vivissecção atribui-se à Aristóteles, mas a sua utilização sistemática com intuitos científicos, deve-se a Galeno, no século I DC. Através da vivissecção de primatas e outros animais, descreveu as diferenças estruturais entre os vasos sanguíneos e descobriu que as artérias transportavam sangue, não ar, como estava estabelecido há 400 anos. Constatou também a ligação entre o sistema nervoso e funções como o controle muscular e a expressão oral.

Dilema ético

A directiva 86\609\EEC surgiu com o objetivo de proteger os animais usados na vivissecção e de outros procedimentos científicos de modo a minimizar a dor, sofrimento e o stress salvaguardando desta forma o bem-estar animal.
Segundo Smith & Boyd (1991) para além das considerações filosóficas, evidências práticas e científicas sugerem que todos os mamíferos possam sentir algo semelhante à dor e ao prazer humano, embora qualitativa e quantitativamente diferente. Existem semelhanças na anatomia e fisiologia básica do sistema nervoso, compartilhadas por todos os vertebrados, nomeadamente peixes, aves, répteis e mamíferos. Contudo, quanto maior a distância filogenética entre mamíferos e os restantes vertebrados, mais difícil se torna comprovar a capacidade destes sentirem dor e prazer.
Partindo desta constatação, na sociedade civil e na comunidade científica, emergem sobretudo duas posições antagônicas em relação à utilização de animais para vivissecção.
De acordo com os vivisseccionistas, os benefícios alcançados com o uso de animais são justificados com os resultados obtidos. Acreditam que a pesquisa médica com animais é aceitável se os benefícios obtidos ultrapassarem os malefícios infligidos aos animais. Argumentam que diversos avanços científicos importantes, não seriam alcançados sem o recurso animais, destacando a descoberta para a vacina da difteria (1925), da insulina (1923), o primeiro anestésico não volátil (1950), anti-retrovirais (1990), entre outros.
Por outro lado, um dos argumentos mais utilizados pelos abolicionistas é que o ser humano não tem o direito de decidir sobre a vida dos animais. Defendem ainda o fim do uso destes, alegando a existência de alternativas viáveis. Apresentam como alternativas o uso de simulações matemáticas, modelos computadorizados e culturas celulares, uma vez que consideram o uso de animais, um método ultrapassado.

Ponto de vista

A questão da vivissecção tem dividido a sociedade e os cientistas em três grupos: os vivisseccionistas(ou defensores da vivissecção), os abolicionistas e os defensores dos 3Rs.

Os vivisseccionistas têm defendido a vivissecção como forma importante de pesquisa na cura de doenças e em pesquisas para melhoria da qualidade de vida. Além disso, se torna evidente uma indústria que depende da continuidade de testes in vivo. São vivisseccionistas algumas Universidades, parte da indústria de cosméticos e a indústria farmacêutica de forma geral.

Os abolicionistas propõem o fim da utilização dos animais em testes, pesquisas e métodos acadêmicos por razões científicas e éticas. São abolicionistas a maioria dos grupos de defesa e parte da comunidade científica.

Os defensores dos 3Rs, Replacement, Reduction and Refinement (Substituição, Redução e Refinamento) encontram na obra de Russel & Burch seu principal fundamento. O livro The principles of Humane Experimental Technique (Russel & Burch, 1959) foi o ponto de partida para os 3Rs e influenciou a legislação relativa aos animais de laboratório no âmbito da experimentação animal.

3 Rs

Replacement (Substituição)

Qualquer método científico empregando material não senciente(senciência) pode na história da experimentação animal substituir métodos que usam vertebrados vivos e conscientes.

Reduction (Redução)

Métodos para reduzir o número de animais utilizados para obter informação representativa e precisa.

Refinement (Refinamento)

Qualquer desenvolvimento que leve a uma diminuição na severidade de processos cruéis aplicados aos animais utilizados.

Posteriormente, Smith(1978), reformulou a definição dos 3Rs como sendo “todos os procedimentos que podem substituir completamente a necessidade de efetuar experiências com animais, reduzir o número de animais necessários, ou diminuir o sofrimento sentido pelos animais utilizados para o benefício de humanos e outros animais.

 

Rosangela Meneses biografia

 

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